Conheça as pessoas que marcaram a história da educação da Companhia de Jesus.

 
Santo Inácio de Loyola
 
Padre Pedro Arrupe
 
Padre Antônio Vieira
 
São Francisco Xavier
 
Padre Artur Alonso


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Santo Inácio de Loyola

Santo Inácio de Loyola (1491-1556). Fundador da Companhia de Jesus. Jovem cavaleiro basco, converteu-se durante um período de longa convalescença, após ser ferido numa batalha em que defendia Pamplona do ataque dos franceses. Decidido a um seguimento radical de Cristo, renunciou a todos os bens materiais e fez-se peregrino, vivendo profundas experiências de Deus. Sistematizou seu itinerário espiritual nos conhecidos Exercícios que hoje são guia de experiência de espiritual de milhares de jesuítas, leigos e membros de diversas congregações religiosas.

Embora a finalidade original da Companhia de Jesus não incluísse instituições educacionais, Inácio logo percebeu que através da educação poderiam ser obtidos bons resultados no desenvolvimento humano e espiritual, como também na defesa da fé católica. O primeiro colégio da Companhia foi fundado em Messina, na Sicília, em 1548; e antes de sua morte em 1556, Inácio já havia aprovado pessoalmente a fundação de 40 colégios.

 
   
 
 
Padre Pedro Arrupe

Como Superior Geral da Companhia de Jesus por quase 20 anos, foi uma figura central na renovação da Companhia após do Concílio Vaticano II, dando especial atenção às origens do carisma inaciano, em articulação com os sinais dos nossos tempos. Nascido no país basco, na Espanha, deixou a escola de Medicina para unir-se aos jesuítas, estudou Teologia na Holanda, e recebeu outros ensinamentos ligados a espiritualidade e psicologia nos Estados Unidos. Arrupe passou 27 anos no Japão (onde, entre outras coisas, cuidou de vítimas da bomba atômica em Hiroshima) até sua eleição em 1965 como superior geral. Ele é considerado o fundador da nova Companhia de Jesus, pós-Vaticano II.

 
   
 


 

Padre Antônio Vieira

Antônio Vieira nasceu em 1608 e faleceu em 1697. Ele representa, sem dúvida, a maior expressão da eloqüência sacra de Portugal e um dos maiores escritores do seu século. Educou-se no Colégio dos Jesuítas da Bahia, em cuja ordem professou. Desde cedo destacou-se como pregador. Por suas idéias a favor dos cristãos-novos, contra a escravidão do negro e principalmente do índio, sofreu críticas e perseguições, tendo-se envolvido com a Inquisição. Dentre seus sermões, salientaram-se os que proferiu por ocasião do cerco dos holandeses à cidade de Salvador. Retornando a Portugal, foi designado por D. João IV, representante em importantes missões diplomáticas no exterior. Chefiou ainda missões jesuíticas no Brasil. Partiu, depois, para Roma, onde seu talento oratório brilhou intensamente. Em 1681, retirou-se definitivamente para o Brasil, onde veio a falecer.

De sua imensa obra de pregador, destacam-se as seguintes: Sermão da Sexagésima, onde apresenta uma teoria da arte de pregar. Sermão de Santo Antônio aos peixes, a respeito da escravidão indígena. Sermão do mandato, em que trata do amor de Cristo.

 
   
 

 

 

São Francisco Xavier (1506 - 1552)

Nativo, como Inácio, do território basco, Francisco tornou-se seu amigo muito próximo na Universidade de Paris, e passou a partilhar das visões de Inácio a partir da experiência dos Exercícios Espirituais, e participou destas visões através de trabalhos missionários na India, na Indonésia e no Japão. Foi o primeiro jesuíta a direcionar sua ação para povos de fora da cultura européia; por isso, é um inspirador hoje para os educadores inacianos que incorporam as idéias do multiculturalismo e da valorização das diferenças culturais.

 
   
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Padre Artur Alonso
(Reproduzimos a seguir o verbete "Artur Alonso, SJ", publicado no Dicionário de Educadores Brasileiros, pela Editora UFRJ; por Andrea Cecilia Ramal).

Nasceu em 25 de junho de 1901, em Valladolid, Espanha. Iniciou seus estudos na Escola Apostólica de Bordéus, dirigida pelos padres jesuítas franceses que trabalhavam na formação de futuros missionários. Em 1918 formou-se no bacharelado de francês clássico. Sentindo-se atraído pelas idéias e pelos valores que lá conheceu, decidiu ser padre jesuíta, e vir exercer seu ministério no Brasil, desembarcando em São Paulo naquele mesmo ano.
Com os jesuítas recebeu sólida formação. Entre 1920 e 1923, ainda em São Paulo, realizou os estudos clássicos (Humanidades e Retórica). Mudou-se para Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, para ingressar na Faculdade dos Jesuítas. Lá veio a formar-se em Filosofia, quatro anos mais tarde, especializando-se no pensamento escolástico-tomista.

A etapa seguinte foi cumprida fora do país: primeiro na Holanda, na Faculdade Eclesiástica dos Jesuítas Alemães, onde obteve a sua segunda graduação, agora em Teologia; depois, em Roma, cursou entre 1930 e 1932 o Doutorado em Ciências Eclesiásticas.
Ordenou-se aos 26 de julho de 1931, ainda em Roma. Fez um curso de aperfeiçoamento sobre a espiritualidade de Inácio de Loyola na França até o ano de 1933, quando finalmente retornou ao Brasil, onde viria a ocupar importante espaço no âmbito da educação católica. No auge de sua atuação, recebeu o título de Cidadão Carioca, outorgado pela Assembléia Legislativa do Estado da Guanabara.

Faleceu no Rio de Janeiro, aos 13 de janeiro de 1990, depois de complicações de saúde que causaram grandes sofrimentos. Naquele momento, era quase nonagenário e contava 59 anos de ministério sacerdotal e 72 como religioso jesuíta.
Pe. Alonso foi, antes de tudo, um educador. Começou a se interessar pela educação antes mesmo de se formar. Enquanto cursava a Filosofia em Nova Friburgo, já trabalhava como professor no Colégio Santo Inácio do Rio de Janeiro. Em seguida, antes de sair do país, exerceu o magistério por três anos no Colégio São Luís, em São Paulo, lecionando Francês, Latim e Física Experimental.

Ao voltar ao Brasil, já com o doutorado terminado, ocupou o cargo de Prefeito Geral do Colégio São Luís, entre 1934 e 1938. Em 1939 foi enviado para o Rio de Janeiro, para atuar como Superior da Casa dos Escritores da Companhia de Jesus. A 11 de fevereiro de 1941, assumiu a Reitoria do Colégio Santo Inácio do Rio de Janeiro, cargo que ocuparia por seis anos.

Seu primeiro ato como Reitor foi aprovar a adaptação de uma casa recém comprada, localizada ao lado do Colégio, para o funcionamento das Faculdades Católicas (a futura PUC), que desde o ano anterior aproveitavam algumas salas de aula do próprio Santo Inácio.

A época de Reitoria do Pe. Alonso coincide com um momento do país em que os grandes colégios católicos são, eventualmente, figuras de destaque nas festividades militares. Por exemplo, na semana da pátria do mesmo ano de 1941, realiza-se o desfile do batalhão do colégio, constituído por cerca de 700 alunos, diante do novo Ministério da Guerra. Essa participação reforça uma idéia da época e uma convicção do Pe. Alonso de que os católicos deviam ser o "exército da Igreja", combatendo os inimigos dos ideais cristãos. Outra marca deste momento é a amizade e mesmo a presença de figuras de evidência na política nacional nos eventos do Colégio Santo Inácio. O Ministro Gustavo Capanema, por exemplo, é amigo do Pe. Alonso; na primeira comunhão do filho, preside à solene festa de Inácio de Loyola. O próprio presidente Getúlio Vargas compareceu mais de uma vez a missas na Igreja do Colégio, como por exemplo na ação de graças pelo seu restabelecimento após o acidente de automóvel na estrada Rio-São Paulo, em 1942, ou na missa pela alma de Getúlio Vargas Filho, em 1943.

Ao longo do mesmo período em que foi Reitor do Colégio Santo Inácio, Pe. Alonso integrou também a Diretoria Nacional do Sindicato de Diretores dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Rio de Janeiro, e foi membro da Comissão Executiva dos seus Congressos Nacionais de Educação.

Em 24 de dezembro de 1946, Pe. Artur Alonso foi nomeado Provincial dos Jesuítas do Brasil Central, ficando responsável pelas principais decisões e políticas para as obras educacionais e sociais dos jesuítas dessa região. Nessa data, começou um trabalho incansável de apoio organizado às escolas e de defesa da educação católica.

O mesmo ano de 1945 foi significativo na história do Pe. Alonso. Foi também nele que participou, em Bogotá, do Congresso Interamericano de Educação Católica; e nele que consolidou a sua mais importante realização: a fundação da Associação de Escolas Católicas (AEC), na qual desempenhou, por vinte anos, o cargo de presidente, desde março de 1944, antes mesmo da sua instalação oficial (em 24 de novembro de 1945) até o mês de julho de 1965.

Pe. Alonso organizou vários Congressos Interamericanos de Educação Católica, alguns tendo sido por ele presididos, como ocorreu em 1951, no Rio de Janeiro.
Entre 1946 e 1952 dedicou-se principalmente à presidência da AEC e à sua atuação como Provincial jesuíta, neste momento já com a nova incumbência de cuidar da vice-Província Goiano-Mineira. Logo depois, em 1954, iniciou sua ação no ensino superior, começando a trabalhar como catedrático de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Já familiarizado com o espaço universitário, assumiu a Reitoria da PUC em 1956. Até 1962, momento em que deixou o cargo, consolidou a implantação do campus da PUC no bairro da Gávea, abriu a Universidade para a área da pesquisa científica e organizou a estrutura administrativa e acadêmica que, em traços gerais, permanece até o momento.

Sua participação foi decisiva no processo de promulgação da Lei de Bases e Diretrizes de 1961, principalmente como defensor da liberdade de ensino.

Foi uma presença constante nos organismos mais importantes ligados à educação, principalmente na dimensão católica, mas não apenas nesse âmbito: atuou como Vice-Presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas, e também como Vice-Presidente do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro, desde a sua instalação até 1967. Integrou em 1962 a Delegação Oficial Brasileira à Conferência da UNESCO e OEA em Santiago do Chile, cujo tema foi "Planejamento da Educação para o Desenvolvimento Econômico e Social". Dois anos mais tarde, participou da Delegação Brasileira à XIII Assembléia Geral da UNESCO em Paris. A partir do que lá ouviu e discutiu, escreveu o livro "A U.N.E.S.C.O.", relatando o que acontecera na Assembléia, apresentando as políticas gerais da UNESCO sobre a educação e traçando algumas relações entre os objetivos da UNESCO e a perspectiva cristã, chamando a atenção para o papel dos católicos na reorganização do mundo. O livro foi publicado em 1965, pelas edições da AEC da Guanabara.
Mesmo depois de deixar a Reitoria da PUC, continuou trabalhando na universidade, como professor, entre 1964 e 1967, nos cursos de pós-graduação de Pedagogia e Filosofia da Educação.

O Concílio Vaticano II é um marco na história da Igreja; é também, particularmente, na vida do Pe. Alonso. A renovação que o Concílio pede abala estruturas profundas, convicções antigas, idéias solidificadas com o peso de séculos de história eclesial. Alguns não vêem com bons olhos as mudanças anunciadas. Pe. Alonso é um deles: o forte envolvimento com as questões cruciais de seu próprio tempo talvez não lhe permitam ainda prever de que modo a anunciada abertura da Igreja e a sua aproximação às preocupações sociais se concretizariam. Ele teme que sejam, então, colocados em risco valores essenciais. Vê a reforma como uma ameaça à autoridade do Sumo Pontífice e reclama lideranças na Companhia de Jesus que façam frente ao problema. Os jesuítas, entretanto, sempre foram propulsores de inovação: ele não encontra muito eco nos companheiros.

É bastante angustiado que Pe. Alonso decide ir para a Espanha, onde ficará por um período de quase quinze anos, tratando também de problemas de saúde. Primeiro em Fuenfría, perto de Madri, e depois em Roma, Pe. Alonso lê, reflete, reza e escreve muito, apesar da idade avançada (já conta 72 anos). Produz extenso material que posteriormente, reunido com outros escritos, viria a constituir os cinco volumes de suas "Reflexões Pedagógicas", que se dividem em: "A crise estudantil", "Crise adulta da juventude", "Nascimento de um homem novo", "Luz e sombras no devir do humanismo" e "Salvemos o homem", todos publicados pelas Edições Loyola a partir de 1981, quando ele já regressara ao Brasil. Além disso, ao longo da vida, publicou inúmeros outros artigos de menor porte, a maioria de circulação interna na AEC ou na Companhia de Jesus, utilizando muitas vezes seu pseudônimo predileto: "Mariano da Cruz".

Na significativa atuação do Pe. Artur Alonso no contexto da educação brasileira, um dos destaques é, sem dúvida, a criação da AEC. Ela foi concebida em 1944, por ocasião do primeiro Congresso Nacional de Estabelecimentos Particulares de Ensino, realizado em grande parte como uma manifestação em favor da escola particular e contra o monopólio do Estado na educação. Ao mesmo tempo, os educadores nele reunidos buscavam caminhos para atender às exigências da Reforma Capanema, de 1942 - na qual Pe. Alonso teve certa influência, embora criticasse o sistema de exames e provas parciais, que desviavam a atenção do processo de ensino-aprendizagem. De acordo com a nova lei, todos os professores deviam possuir a titulação necessária para lecionar, e as escolas somente podiam funcionar com a devida autorização do Estado. Até então, qualquer pessoa podia assumir aulas, desde que tivesse conhecimento para isso, mesmo sem titulação específica. Quanto às escolas, quando oficializado o registro no MEC passavam a ter os diplomas reconhecidos, ao invés dos alunos terem que se submeter, como ocorria, ao "exame de estado".

A AEC ajudou na legalização dos títulos dos professores, sobretudo aqueles ligados às escolas católicas, e orientou os diretores no processo de credenciamento das instituições, inclusive nas questões jurídicas. Pe. Alonso lhe destinava, porém, objetivos mais amplos para a Associação, como o de promover a união entre as escolas católicas e aproximar os seus professores. Segundo depoimento do fundador, os mestres viviam, na época, a tal ponto isolados, que não se conheciam sequer entre os que trabalhavam mesmo bairro. Outra meta era defender os princípios da religião, da liberdade e dos direitos da família. Percebe-se presente, neste início de atuação da AEC, toda a defesa contra as doutrinas marxistas e contra as idéias protestantes, explicável em função do próprio jogo de forças que se travava na época entre católicos e liberais. O pensamento católico vigente era o de que educando as classes dominantes, formando as futuras lideranças segundo valores humanistas e cristãos, as estruturas sociais seriam transformadas. Pe. Alonso era um dos entusiastas da crença de que os católicos unidos venceriam os inimigos da Igreja, que haviam ganhado terreno com a laicização do ensino e a propagação das idéias liberais.

A estratégia do Pe. Alonso era "estar presente onde se decidiam as orientações políticas e administrativas do ensino nacional". Por isso, a AEC se constitui também num organismo de apoio a educadores que podiam representar os interesses da escola católica no Senado e na Câmara. Além disso, Pe. Alonso buscou apoio da imprensa, encontrando no conde Pereira Carneiro, do Jornal do Brasil, e em Roberto Marinho, de O Globo, dois colaboradores. "Rara era a semana", conta ele, "que não publicassem algum artigo elaborado na AEC. A AEC visava formar opinião".

Além disso, sob a presidência do Pe. Alonso, a AEC assume uma série de outras lutas, em defesa da escola privada, pela liberdade de ensino. Pe. Alonso argumentava que cada família devia ter o direito de escolher a linha educativa que desejasse para seus filhos. Nesse ponto, a sua atuação foi decisiva para que, na Lei de Bases e Diretrizes da Educação Nacional (Lei 4.024 de 1961), essa liberdade fosse garantida. Basta dizer que o substitutivo apresentado por Carlos Lacerda ao projeto anterior para a lei, em andamento na Câmara, foi redigido na AEC. Foram treze anos de campanhas cujos pormenores aparecem no Relatório "20 anos a serviço da educação", de 477 páginas, escrito por Pe. Alonso sob o pseudônimo Mariano da Cruz, após completar sua gestão. Um resumo desse relatório aparece no livro "Caminhos novos na educação", organizado por ocasião dos 50 anos da AEC.

O monopólio econômico do Estado também foi combatido por Pe. Alonso, que considerava que o dinheiro público (portanto, de todos) devia servir também às iniciativas particulares, e não apenas às estatais (vale lembrar que, segundo relatório da AEC, 30% dos alunos das escolas católicas eram bolsistas). Uma vitória sua nesse embate foi a Lei do Fundo Nacional do Ensino Médio, resultado em grande parte de seus esforços e da colaboração do Dr. Carlos Pasquale, do Departamento Nacional de Educação do MEC. Além disso, Pe. Alonso defendia o término do controle do Estado sobre as anuidades escolares, com o fim de poder elevar o nível salarial dos professores.

O pensamento educacional de Pe. Alonso deve ser lido à luz do contexto em que ele viveu. A ênfase com que defendeu os valores de um humanismo radical, opondo-os às idéias liberais, que considerava perigosas e nocivas à família; a força com que atacou o movimento estudantil de 1968, pelo que significava de rebeldia e repúdio à ordem estabelecida; a desconfiança com que leu as propostas do Concílio Vaticano II, prevendo que as mudanças anunciadas na Igreja abalassem a autoridade papal, são reflexos de uma personalidade extremamente fiel ao pensamento eclesial que caracteriza a época na qual se formou. Uma leitura com os olhos de hoje, que talvez possa detectar certo radicalismo e alguma rejeição ao novo, não pode, entretanto, relativizar o valor da postura de coerência pessoal de um homem que, em sua vida, apaixonou-se pela educação e que lutou, em cada palavra, em cada ação e em cada linha das centenas de páginas que escreveu, pela defesa de um mundo no qual acreditava e queria ajudar a construir.

 
   
 

 

 

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